Oportunidade em Tempos de Crise

A queda dos preços no sector petrolífero e do gás impuseram duras consequências sobre diversos países que não conseguiram aproveitar em tempo o afluxo de divisas que a anterior alta lhes proporcionou. Moçambique, que parecia favorecida pela descoberta de novas jazidas de gás, depara-se agora com uma crise grave ao nível das finanças públicas e do mercado cambiário, bem como a um ressurgimento de conflitos armados e de instabilidade que a incerteza sobre o futuro sempre proporciona.

A severidade das paragonas e a expressividade das más notícias, porém, tendem a fazer esquecer que os tempos de crise são também tempos de oportunidade, para quem saiba aproveitar as condições geradas.

Por outro lado, a urgência da situação financeira favorece uma maior abertura das autoridades locais, no sentido de facilitar o investimento estrangeiro em infra-estruturas básicas essenciais. É, infelizmente, uma ilusão acreditar, como tendem os países em desenvolvimento, que em períodos de bonança que esses investimentos se fazem, ao invés de identificar as necessidades, prioritarizar as intervenções e planificar para os cenários positivos e negativos.

Ecos desta perspetiva chegam-nos por notícias de investimento de grandes players internacionais, como é o caso da GE e da China Railway Rolling Stock Corporation (CRRC), com investimentos em curso no setor ferroviário; ou a Coca-Cola, que inaugurou uma nova fábrica perto de Maputo no final de Junho.

Tempos de crise suscitam também o reforço e estabelecimento de laços de cooperação com os vizinhos. Disso é exemplo a recente visita do Primeiro-Ministro da Etiópia a Moçambique, com a assinatura de acordos de cooperação bilateral nas áreas da agricultura, justiça, ciência e tecnologia, turismo, transportes e comunicações, defesa, indústria e comércio, economia e finanças. Conheceram-se também manifestações de interesse institucional por parte da China, recentemente, no Fórum Anhui-Moçambique.

Estes períodos devem ser aproveitados, nomeadamente, pelos agentes locais e por entidades estrangeiras, para aceder a fontes de financiamento internacionais voltadas para o desenvolvimento, que se multiplicam e que a Sociedade de Informação veio tornar de fácil acesso.

Exemplo disso são iniciativas como a “Funds for NGO’s” (https://www2.fundsforngos.org/tag/mozambique/), com programas de incentivo em setores como o acesso a água potável o setor da saúde, para além de iniciativas na área da cidadania; a “Dubai Cares” (http://www.dubaicares.ae/en/section/programs), atualmente com programas de financiamento e apoio, na área da educação primária; a “Bond” (https://www.bond.org.uk/), com projetos diversificados de apoio ao desenvolvimento.

Apenas por um olhar continuado e voltado para o horizonte é possível contribuir para o desenvolvimento, sabendo ao mesmo tempo aproveitar todas as oportunidades que os tempos de crise suscitam.

 

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